sexta-feira, 4 de maio de 2018

O mistério do acesso da revista Veja ao cárcere de Lula


A revista Veja conseguiu entrar na intimidade da prisão de Lula. A pergunta que fica é: Como?
Uma prisão restrita até mesmo aos amigos e pessoas importantes, como o Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel que carrega consigo uma importante luta pela garantia dos direitos humanos, além de amigos e partidários.
A Veja é poderosa e inescrupulosa. Não seria por menos, afinal, ela faz parte do Grupo Abril, que está na tentativa de se livrar de uma falência iminente utilizando-se da melhor estratégia midiática pra enriquecer em tempos de instabilidade social, o jornalismo de “GUERRA”.
Este tipo de jornalismo é essencial para se produzir constante desconfiança e manter estável os planos de quem quer o poder de forma pouco democrática, portanto, quem se presta a fazer esse tipo de serviço receberá o apoio necessário.
A Veja tem tido a coragem que poucos meios de comunicação têm. Ela consegue com certa frequência, informações e acessos “exclusivos” contra Lula. Protegidos pelo sigilo da fonte, que garante a liberdade de imprensa, estes fazem o trabalho “sujo” dos interessados em manter a população com os ânimos sempre controlados, controlados por eles.
Se a imprensa, principalmente esta, consegue invadir a intimidade de um preso, cujo o acesso é muito restrito, e divulgar a sua desgraça e o tratamento dado, algum servidor público a permitiu ou facilitou o acesso. Por um bom “cala-a-boca” (dinheiro), muita gente pode fazer vista grossa a alguns privilégios e sem provas pra a abertura de a denúncia, não pode fazer a abertura de um inquérito policial para investigar o caso.

Como a Veja divulgou o caso

A revista começa seu texto no site com a velha estratégia de destilamento de ódio, ressaltando como o tratamento dado a Lula é diferente dos outros encarcerados, mas sem dizer exatamente as diferenças. Ela diz:
“uma rotina diferente da dos outros 22 presos na carceragem da PF em Curitiba.”
Ainda comenta a “regalia” nos horários de sono de um homem de 72 anos, cujo o dia começa as 7 da manhã. Deixa clara a regalia de a porta do cárcere não ser trancada mas, somente fechada. Ah tá! Um homem de tanta periculosidade poderia sair em fuga a qualquer comento. Poupem-me!
É clara a intenção da revista em manter acesa a chama do ódio de alguns. Estes fazem um ótimo trabalho para os interesses dos patrocinadores desse tipo de mídia.
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quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Qual é o verdadeiro problema do serviço público no Brasil?




Há um estigma que pesa sobre o serviço público brasileiro. Não importa a área, de alguma maneira você já ouviu alguma reclamação sobre este tipo de serviço no Brasil. O serviço estatal deveria ser modelo e principal meio de acesso aos direitos básicos e exercício da cidadania para o povo. O investimento da população em forma de impostos, idealmente, seria retornado para a população em forma de serviços que garantiriam desenvolvimento da sociedade e evolução social. Mas não vivemos num mundo ideal e nosso sistema político e econômico é construído de forma a usarmos o mínimo possível os serviços públicos. Instituições privadas concorrem numa guerra constante em busca de crescer e enraizar seu nicho de mercado no meio em que estão inseridas.

Os serviços públicos mais básicos, como saúda, educação e desenvolvimento social passaram a ser usufruídos somente pelas pessoas que não tem, de maneira alguma, condições de pagar por eles. Numa estigmatização história e constante, os serviços básicos públicos foram enfraquecidos financeiramente e motivacionalmente de forma que se instaurou uma “cultura de enfraquecimento”. Uma nuvem de desmotivação cobre todos os setores e qualquer servidor entra no seu expediente de trabalho já pensando na hora em que vai embora e no salário que receberá no fim do mês. Ser um servidor público nas áreas básicas mais parece um enfado que uma profissão. Em qualquer órgão público, é possível encontrar aqueles servidores que não trabalham mais de 6 horas das 8 que são devidas. Muitos passam 4 horas fazendo o mínimo possível pra dizer que ainda estão em atividade. Os salários todos bem compatíveis com o mercado mas de alguma forma, estes servidores não estão animados a executar algo que faça a instituição pública avançar e crescer.

Acho que antes de falar sobre a qualidade do serviço em si, eu deveria trazer a tona a questão cultural que cerca todo o ambiente estatal. É comum você conversar com algum jovem que passou naquele concurso concorrido e agora está animado para utilizar toda a sua força de trabalho para fazer a diferença e ser exercer um serviço que faça a diferença naquele meio e na sociedade mas, já nas primeiras semanas são recebidos com um banho de água fria ao ver que para que ele possa trabalhar de forma pacífica, ele terá que se adaptar a cultura local. Vai até trabalhar todas as 8 horas, executar os serviços no prazo e se mostrar um bom profissional e ético mas, por estar mergulhado numa cultura trabalhista mais relaxada onde ele pode obter vantagens como sair mais cedo hoje sem que isso seja um problema, ele vai se adaptar e entrar em equilíbrio com o todo. É natural.


Minha experiência com o serviço público


Faz um tempo que estou doente. Na fase em que estou, não posso me dar ao luxo de pagar uma consulta particular (O que também não é lá essas qualidades toda). Fui ao posto de saúde do meu bairro e tendo que chegar antes do posto abrir pra pegar uma vaga, consegui ser atendido. Até aí tudo bem, (Tirando o constrangimento de ter que falar com um médico tendo dois estudantes de medicina olhando pra mim como um rato de laboratório). Pedi uns exames, fiz meu cadastro com o cartão do SUS para obter estes exames. O que parecia estar tudo certo, após 1 mês, nada de resultado. Resolvi ir ao posto perguntar sobre os exames. Mandaram-me ir a uma sala fazer o cadastro (O que? Eu ainda nem estava cadastrado no sistema mesmo tendo entregue toda a papelada que eles pedem?). Fui, com simpatia e pedi ao rapaz pra ele fazer meu cadastro. O “novo” sistema informatizado do SUS me deu um ar de esperança de que meus exames finalmente sairiam mais rápido (Nesse momento eu já estava curado daquele problema e já estava precisando de outra consulta pra outro problema). Agora estou esperando. E fico me perguntando, onde está o problema? Por que eu não consigo ser atendido em tempo hábil e ter meus problemas resolvidos logo? Será que a falha está nos funcionários do posto de saúde que não sabem informar os procedimentos? Será que falta uma gerência mais proativa? Dentre todas essas coisas, eu pedi uma consulta piscológica e a informante/recepcionista do posto disse que eu teria que ir em busca do piscólogo por conta própria. Um mês depois eu fui informado por outro funcionário que existe uma sala específica no posto para tratar dos assuntos com os piscólogos (WHAT?!). A informante não sabia disso? Ou ela agiu de má fé? Enfim, nota-se uma falha absurda no sistema, no serviço e nos servidores. Todo o projeto de posto do saúde está comprometido a não oferecer o serviço devidamente por falhas nos setores essenciais para o andamento do negócio. Nas entrelinhas aconteceram outras coisas absurdas que não vou comentar aqui.


A cultura do serviço relaxado


Logo que ouvimos falar dos absurdos nos serviços públicos, logo apontamos o dedo para o governo e acusamos os gestores mas se pararmos pra pensar, nem sempre o problema é do governo. A verba é levantada indivudualmente para cada ponto de serviço. Todo mundo recebe seu salário. Temos médicos bem pagos e temos os materiáis mínimos necessário para atendimento ao público. Mesmo assim encontramos falhas que não precisavam estar acontecendo.

O que está havendo com estes servidores? Falta conciência social. Nós não precisamos de um chefe puxando no nosso pé, humilhando e fazendo trabalhar como máquinas. Precisamos ter conciência da importância do serviço e a diferença que o serviço faz na sociedade.

Claro que temos grandes falhas no orçamento investido, mas, se esta cultura pobre do serviço público persistir, não haverá investimento que surtirá efeito. Esta cultura está privando as pessoas mais humildes de exercerem seus direitos como cidadãos. Esta cultura está tirando a dignidade da parcela mais pobre da sociedade e isto também contribui alargar ainda mais as diferenças sociais.


O que você pensa sobre isso? Devemos culpar o servidor de forma individual ou você acha que algo deveria mudar pra que essa cultura fosse desintegrada? Me mostre sua opinição comentando aí em baixo. ;-)



Até o momento da publicação deste texto, eu ainda não fiz nenhum dos exames. Não sei em que ponto está estagnado. Também não posso fazer nada. Não tenho aquele conhecido para “desenrolar” as coisas pra mim no posto de saúde(Sim, muitas vezes só funciona se tiver alguém pra acelerar as coisas pra você). Essa demora já acarretou diversos atrasos na minha vida mas eu fico pensando naquelas pessoas que tem alguma doença grave guardada e quando for descobrir já será tarde de mais. Esta cultura no serviço público também pode matar.

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